Valpolicella – Conheça os vinhos, as castas e a região

Valpolicella

Valpolicella é uma região da Itália que se tornou famosa pelos vinhos lá produzidos. De início, seus vinhos podem até parecer comuns, mas eles não são produzidos como qualquer outro tinto. Ou seja, colheita, esmagamento e fermentação da uva.

Para os vinhos Valpolicella, essa receita ganha um toque todo especial entre um processo e outro. Além disso, eles são produzidos exclusivamente com três uvas. Assim, o resultado é um produto com características inconfundíveis e com um charme que só um vinho Valpolicella tem.

Por isso, o Center Gourmet vai te contar a história da região e falar sobre as uvas permitidas na produção dos vinhos. Além disso, você vai saber tudo sobre os estilos de vinhos que recebem o selo D.O.C. e sobre a diferença entre eles. Para começar, vamos dar um passeio pela região do Vêneto, da Itália.

A região de Valpolicella e o vinho homônimo

Valpolicella

A região de Valpolicella é a maior produtora de vinhos do país. De fato, de lá saem vinhos excelentes para o dia a dia. Mas, também é de lá que vêm vinhos que são verdadeiras obras de arte, considerados a nata da produção de vinhos.

Por exemplo, o vinho Amarone, sobre o qual vamos falar daqui a pouco, foi o divisor de águas na história da produção de vinhos da região e pode ser chamado de um vinho de luxo. Por ouro lado, a região também é famosa pelos vinhos brancos produzidos a partir da Pinot Grigio e com preços mais acessíveis. De qualquer forma, os métodos usados na vinicultura deram à região a merecida fama.

Localizada no nordeste italiano, o Vêneto tem Verona como capital. Além disso, também é o berço de outras denominações de origem (D.O.) como prosecco, Bardolino e da tão aclamada Amarone della Valpolicella.

Clima e características da região 

De modo geral, o clima da região do Vêneto é frio. Acontece que Valpolicella é resfriada pelos Alpes Italianos e está entre o Lago de Garda e o Mar Adriático. Normalmente, as uvas dependem das altas temperaturas para amadurecerem e conferirem aos vinhos complexidade nos aromas e sabores.

Nesse caso, pelas baixas temperaturas, os vinhos dependem da experiência dos enólogos para construção dessas características no olfato e paladar, utilizando apenas as uvas cultivadas na região. Já vamos falar mais sobre elas em breve.

No entanto, o terroir local é formado por um solo extremamente fértil e que mantém a umidade. Como resultado, a produção de uvas se torna mais intensa, o que não deveria ser um problema, concorda?

Mas, isso acabou não sendo muito bem-vindo, já que grande volume de produção pode diminuir a qualidade dos frutos e do vinho. Como resultado, uns 40 anos atrás, os especialistas passaram a não dar muito crédito aos vinhos locais, justamente pelo fato de os produtores darem mais atenção ao volume da produção do que à qualidade dela.

Com o tempo, foram criadas sub-regiões que guardam características diferentes e são avaliadas de forma diferente também. Por exemplo, Valpolicella Classico, Valpantena e o próprio Amarone dela Valpolicella são denominações de origem com excelente reputação e consideradas de melhor qualidade que os vinhos Valpolicella comuns.

Mas, isso não quer dizer que os vinhos comuns sejam ruins. Afinal, estamos falando de vinhos bons e de vinhos excelentes! Lembre-se disso.

Vinho Valpolicella, tempo de produção e guarda

Valpolicella

Técnica de passificação confere aos vinhos da região características únicas.

O processo de produção dos vinhos Valpolicella leva mais tempo que os vinhos de outras denominações de origem. Inicialmente, as uvas colhidas não vão direto para a etapa de esmagamento, dando origem ao mosto, aquele suco inicial que vai ser fermentado.

Na verdade, os cachos são deixados secando em um local com boa ventilação e estendidos em esteiras feitas de bambu. Assim, durante um período de 04 a 06 meses, esses frutos desidratam e como resultado, concentram sabor. Esse processo é conhecido como “appassimento” ou passificação.

Adicionalmente, a técnica acaba por concentrar também os açúcares das uvas. Consequentemente, leva a vinhos mais doces e com maior teor alcoólico também. Isso acontece porque com maior concentração de açúcar, a fermentação precisa ser interrompida, impedindo que a bebida apresente álcool demais. Ainda assim, ela acaba sendo doce e pouco alcoólica.

A diferença entre os frutos passificados e os da colheita tardia é que nesse processo a colheita é realizada no tempo certo. Já na colheita tardia, o produtor permite que os frutos passem do tempo e amadureçam um pouco mais ainda na videira.

Castas de uvas e os vinhos Valpolicella

Três uvas são as principais cultivadas na região: Corvina, Rondinella e Molinara. Cada uma agrega características diferentes aos vinhos e vamos falar um pouco sobre cada uma.

Valpolicella

Corvina

Considerada a uva mais importante para a produção dos vinhos Valpolicella, a uva Corvina é também a que possui a melhor qualidade para a vinicultura. Seu nome vem da sua cor bem escura, que lembram as penas de um corvo.

Aliás, sua casca grossa é muito útil para o bom andamento do processo de passificação das uvas. Além disso, ela é extremamente resistente ao frio da região e produz muito bem, o que é a garantia do volume de produção dos vinhos Valpolicella.

Seus aromas mais comuns são de amêndoas, cereja, chocolate, couro e ervas. Sendo assim, os vinhos elegantes e profundos que ela entrega são muito recomendados para quem ama uma boa massa e frutos do mar.

Rondinella

Similarmente, a uva Rondinella também apresenta a casca grossa, contribuindo para o processo de passificação dos vinhos. No entanto, a casta já não guarda tantas boas características como a Corvina e costuma estar associada ao volume de produção dos vinhos.

Ainda assim, é uma cepa resistente a pragas e traz aromas florais e frutados ao vinho. Sendo assim, boas companhias para vinhos produzidos a partir dela são carnes vermelhas e queijos maduros como um Provolone.

Molinara

A uva Molinara pode ser chamada por vários nomes. No entanto, você sabe que é ela só de olhar. Afinal, os frutos dessa variedade apresentam uma coloração esbranquiçada, como se estivessem cobertos por uma fina camada de pó.

Com aromas frutados, florais e até com uma certa mineralidade, ela é a responsável por trazer acidez aos vinhos Valpolicella. Dificilmente seus aromas de tabaco, especiarias e pimenta preta vão ser vistos em um varietal. Entretanto, são muito úteis para a produção de vinhos de corte, já que ela e a Rondinella correspondem a cerca de 20% a 30% dos vinhos da região.

Com maestria, o enólogo experiente conduz as características individuais de cada casta, dosando seus pontos fortes e falhas para criar vinhos incríveis. E é sobre os quatro estilos dos vinhos da região de Valpolicella que vamos falar a seguir.

Valpolicella

Valpolicella Classico

Para começar, vamos falar desse que é considerado o estilo mais comum e para o dia a dia. Mas, o vinho

também é produzido a partir das mesmas uvas da região, e apesar de não ter grande destaque, é um bom vinho tinto e doce. Sendo assim, aposte em um prato de massa com molho vermelho para fazer companhia e aprecie.

Amarone della Valpolicella

Dizem que esse estilo de vinho nasceu de um erro no processo de fermentação. No entanto, nunca vamos ter certeza se foi intencional ou não. Porém, o que podemos afirmar é que temos aqui um vinho onde todo o açúcar foi convertido em álcool e a bebida acaba com um certo amargor. Aliás, por isso recebeu o nome de Amarone, amargo em italiano.

Ripasso

Nesse caso, o vinho Classico recebe uma parte das uvas apassitadas, resultando em um vinho mais complexo que os de mesa e com maior teor alcoólico. No entanto, não chega a ter toda a potência do Amarone. Mas, isso não chega a ser um problema. Afinal, quer dizer que seu preço será mais acessível.

Recioto

Lembra do erro de fermentação que dizem ter dado origem ao Amarone? Então, contam por aí que o objetivo era criar um Recioto, vinho produzido a partir de uvas deixadas para secar e concentrar açúcares, sabor e acidez. Porém, a fermentação do Recioto é interrompida depois de um certo prazo, resultando em um vinho com agradável dulçor, complexidade e baixo teor alcoólico. Mas, um barril teria sido esquecido dando origem ao Amarone.

Conclusão

Hoje, você viu aqui no Center Gourmet, como a região de Valpolicella é produtiva. De fato, a região oferece vinhos para todos os gostos e para todos os bolsos. Vimos que seu carro-chefe é mesmo o vinho tinto, que tem como estrelas as três uvas cultivadas quase que exclusivamente na região: Corvina, Rondinella e Marinara.

Mas, também podemos dizer que a região também possui bons representantes dos vinhos brancos, produzidos a partir da Pinot Grigio e que não deixam a desejar.

Por fim, aprofundamos em cada estilo de vinho que de alguma forma é influenciado pela técnica do apassimento e pudemos conhecer um pouco mais da história dessa D.O.C. tão singular.

Gostou de conhecer melhor os vinhos Valpolicella? Então, compartilhe com os amigos. Aproveite para conhecer mais sobre outros estilos em nosso blog. Confira nossos rótulos de vinhos Valpolicella e se surpreenda com os sabores únicos que eles oferecem!

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O exemplar Amarone Della Valpolicella Cesari Amarone della Valpolicella Classico DOCG 2015: Encorpado, cheio em boca, notas de frutas maduras e final longo; Produtor: Gerardo Cesari; Teor alcoólico: 15%; Uvas: Rondinella e Molinara (vinho blend); Nariz: Aroma de frutas maduras e geleia de frutas; Harmonização: Carnes vermelhas e de caça

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Cesari Amarone della Valpolicella Classico DOCG 2015


 

O exemplar Valpolicella Ripasso Tenuta SantAntonio Valpolicella Superiore Ripasso Monti Garbi 2017: Médio corpo, taninos macios, boa acidez, delicada doçura; Produtor: Tenuta Sant’Antonio; Teor alcoólico: 14%; Uvas: Oseleta, Corvinone, Rondinella e Croatina (vinho blend); Nariz: Frutas vermelhas maduras, especiarias, amadeirado; Harmonização: Steak au poivre, costelinha suína ao molho barbecue, filé ao molho de morangos, nhoque de abóbora com cogumelos na manteiga de sálvia, espaguete à putanesca, queijos semiduros

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Tenuta SantAntonio Valpolicella Superiore Ripasso Monti Garbi 2017


 

O exemplar Valpolicella Classico Cesari Valpolicella Classico DOC 2018: Bastante equilibrado, saboroso e aveludado; Produtor: Cesari; Teor alcoólico: 12,5%; Uvas: Corvina e Rondinella (vinho blend); Nariz: Fresco e frutado, com notas de frutas vermelhas; Harmonização: Carnes vermelhas, massas e queijos

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Cesari Valpolicella Classico DOC 2018


 

O exemplar Amarone Della Valpolicella Tenuta Sant`Antonio D.O.C.G. Amarone Della Valpolicella 2016: Intenso, potente, taninos presentes, boa acidez, final persistente; Produtor: Tenuta Sant’Antonio; Teor alcoólico: 15%; Uvas: Corvina, Rondinella, Croatina e Oseleta (vinho blend); Nariz: Frutas vermelhas maduras, frutas negras maduras, tabaco, chocolate; Harmonização: Fraldinha grelhada com arroz biro biro, mignon com crosta de mostarda e batata frita, costeletas de cordeiro com risoto de parmesão, coelho à caçadora, polenta ao ragu de carne com trufas brancas, mix de queijos curados

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Tenuta Sant`Antonio D.O.C.G. Amarone Della Valpolicella 2016


 

O exemplar Amarone Della Valpolicella Biscardo Amarone della Valpolicella Classico DOCG 2015: Encorpado, álcool equilibrado, notas de frutas-passas e amêndoas; taninos finos e maduros, persistência longa; Produtor: Biscardo; Teor alcoólico: 15%; Uvas: Corvina, Molinara e Rondinella (vinho blend); Nariz: Geleia de frutas vermelhas, com nuances de chá e mentoladas; tabaco, amêndoas e chocolate, com sutis notas de couro; Harmonização: Risoto de parmesão com ragu de ossobuco, costela suína defumada, queijos azuis

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Biscardo Amarone della Valpolicella Classico DOCG 2015

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Joyce Soares

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