Vinho Nebbiolo, suas castas, sabores e harmonias

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O vinho Nebbiolo tem sua expressão derivada da palavra italiana Nebbia, que significa “névoa”, em português.

Essa nomenclatura remete a neblina que costumava cercar os vinhedos durante o outono, coincidindo com as colheitas dessa uva, que eram realizadas em meio a essa névoa.

A uva Nebbiolo, também podendo apresentar o nome de Chiavennasca ou Spanna, é conhecida por dar origem aos vinhos Barolo e Barbaresco.

Essas duas produções são muito valorizadas pelos especialistas, com grande renome internacional entre os apreciadores de bons vinhos.

Trata-se de uma uva nobre, que exige cuidados específicos no momento de sua produção.

Não apresenta características de versatilidade e adaptação em diferentes terrois além das quais é habituada.

Em suma, a uva Nebbiolo possui personalidade forte e marcante, se destacando entre as produções de vinhos italianos.

Tudo sobre o Vinho Nebbiolo

 1. História/regiões

vinho nebbiolo

A uva Nebbiolo é tradicional de Piemonte, uma região no noroeste da Itália.

Ela fica localizada próxima ao norte ocidental do país, a cerca de 60 quilômetros da costa mediterrânea.

Essa região possui diversas denominações de origem, contudo, as duas mais famosas são a região de Barolo e Barbaresco.

Ambas as regiões são vizinhas, repartem a mesma casta, no caso, a Nebbiolo.

Além disso, compartilham algumas semelhanças no que diz respeito ao aspecto da uva.

Em relação a estes aspectos podemos destacar a cor rubi, quase avermelhada da uva, e a alta concentração de uma substância chamada pruína.

Essa substância pode trazer um aspecto quase acinzentado para a uva, o que também influência em seu nome, uma vez que a cor lembra tons de névoa.

As duas regiões com produções mais famosas, a Barolo e a Barbaresco, são relativamente pequenas, com cerca de 1.300 produtores e exportadores.

Eles entraram em concordância para não ultrapassarem o número de 20 mil garrafas.

Surgimento

A princípio, ampelógrafos, especialistas que estudam a respeito de vinhas, não possuem um posicionamento convicto sobre o surgimento da uva Nebbiolo.

Mas algumas teorias comprovam que ela é originária do Piemonte, ou seja, não sofreu quaisquer interferências humanas.

Testes de DNA mais recente levantaram a hipótese de que a uva poderia ter se originado na Lombardia, um pouco mais ao leste.

Posteriormente, teria sido transportada até Piemonte, onde encontrou condições perfeitas para se desenvolver.

Por outro lado, não se sabe, ao certo, a data que marca o início da produção de vinhos Nebbiolo.

Acredita-se que o filósofo Plínio, o Velho, já fazia registros sobre um vinho “excepcionalmente bom” na região de Pollenzo, que, mais tarde, viria a se tornar Barolo.

Por volta de 1230, uma uva com as mesmas particularidades foi descrita como cultivada na região de Rivoli, perto de Turim.

Posteriormente, registros dos anos 1300 relatam a qualidade de um vinho com as mesmas características do vinho Nebbiolo.

Durante o século XV, a importância desse vinho era tão grande que haviam leis contra o corte ilegal de videiras que cultivavam essa espécie, que podiam levar até mesmo a perda da mão de quem praticava o crime.

Exigências

Atualmente, a uva Nebbiolo se desenvolve satisfatoriamente nessa região italiana, pois pode ser sensível a grandes variações de solo e clima.

É necessário um solo com boa drenagem, localizado preferencialmente nas encostas, e alta exposição solar.

E, no caso das regiões de Barolo e Barbaresco, as uvas também apresentem momentos diferentes de amadurecimento e colheita, que influencia no sabor e no aspecto do vinho.

Apesar de ser popular da região de Piemonte, na Itália, a uva Nebbiolo também é cultivada em outros países, inclusive no Brasil, que, apesar de não possuir a grandeza dos vinhedos italianos, conseguiram adaptar seu solo para que a espécie se fortalecesse o suficiente.


2. Sabor/aroma

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O vinho Nebbiolo é reconhecido como um dos sabores mais requintados e apreciados internacionalmente, possuindo o título de “Rainha do Piemonte”.

As duas regiões de maior cultivo apresentem algumas diferenças, de modo que a produção dos vinhos traz algumas sutilezas no sabor e no aroma.

A uva Nebbiolo, em um aspecto geral, possui a casca fina, porém com estrutura rija, rica em taninos e com alto teor de acidez, de cor rubi muito intenso, quase alaranjada.

Sua concentração de pruína, como mencionado anteriormente, lhe dá um aspecto acinzentado. Seu tempo de colheita interfere diretamente no sabor, uma vez que a uva amadurece mais na região de Barolo.

Ao ser colhida e passar pelo processo de produção do vinho, assume uma tonalidade rubi, quase alaranjada.

Sua acidez natural permite que esse vinho seja perfeito para grandes longevidades, contudo, ele se torna praticamente inconsumível nos primeiros momentos em que é fabricado, justamente por seu sabor amargo e ácido.

Diferenças regionais

Quanto as diferenciações regionais, o vinho Nebbiolo produzido na região de Barolo é considerado mais fino e sofisticado.

Seu terroir é ideal para a produção de um vinho que necessita de maior tempo de envelhecimento, pois seu sabor se intensifica e adquire aspectos únicos.

Seus aromas são acentuados, tornando-se mais perfumados, com teor mentolado, de rosas, chocolate ou trufas.

Uma certa peculiaridade de frutas vermelhas pode ser sentida ao paladar nos primeiros goles.

Por outro lado, os vinhos Nebbiolo da região de Barbaresco são tidos como mais leves, macios e agradáveis.

Necessitam de menor tempo de maturação para adquirirem um sabor agradável ao ser consumido. Contudo, são igualmente aromáticos.

Ao mesmo tempo, os vinhos Nebbiolo têm caráter encorpado, cor avermelhada marcante e são bastante apreciados, especialmente entre os consumidores que optam por um sabor mais evidenciado.

Quanto mais tempo de envelhecimento, maior será seu teor, e a acidez característica ficará menos proeminente, embora ainda perceptível, por se tratar de uma particularidade própria da uva Nebbiolo.

 
3. Harmonizações

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Por conta de seu caráter ácido, sabor intensificado e aroma floral característico, o vinho Nebbiolo harmoniza bem com alimentos, pratos e acompanhamentos de gosto mais pronunciado, geralmente mais salgados.

Embutidos podem ser uma boa escolha, como prosciutto, pastrami ou um bom pedaço de salame de sua preferência.

A gordura, o sal e o defumado ajudam a pronunciar o efeito do vinho, especialmente da região de Barbaresco, que costumam ser mais leves e suaves que os da região de Barolo.

Simultaneamente, uma receita que utiliza carne de pato também pode ser uma boa pedida. Especialmente se temperados ao sabor agridoce, com especiarias ou ao estilo chinês, bastante popular com o vinho Nebbiolo.

Seu aroma também pode combinar perfeitamente com o vinho, e o gosto de ambos é reforçado.

Aves de caça em geral são bons acompanhamentos para o vinho Nebbiolo. Perdiz, faisão, codorna ou mesmo galinha d’angola são algumas das opções que harmonizam bem durante as refeições.

Podem ser preparados de maneira rústica, ou com especiarias de sua predileção.

O famoso cozido de carne ao molho de vinho, Brasato al Barolo, é uma iguaria que casa perfeitamente com a apreciação do Nebbiolo.

Sua estrutura pode ser feita com o Barolo, mas também funciona com outro vinho tinto de sua preferência.

Muitas pessoas gostam de utilizar vinhos franceses, mais suaves, para harmonizar a receita e contrastar com o aspecto marcante do Nebbiolo.

Queijos também harmonizam

Já se tratando de queijos, o Parmesão é uma das melhores alternativas. Sua massa e o nível de sal reforçam perfeitamente o sabor e o aroma do vinho.

Podem ser apreciados individualmente, como acompanhamento, quanto para compor receitas, como risotos com frutos do mar.

É interessante experimentar, também, o queijo de cabra, mofado ou cremoso.

A culinária japonesa utiliza esses componentes em pratos de palato forte, que harmonizam com o vinho Nebbiolo.

Conclusão

Em síntese, a uva Nebbiolo já é apreciada há muitos anos, com registros de séculos atrás que relatam um vinho excepcionalmente bom.

Eles possuíam as mesmas características encontradas, hoje, nos vinhos produzidos pela região de Piemonte, na Itália.

As extensões de Barolo e Barbaresco possuem os vinhedos Nebbiolo mais famosos, ainda que essa uva seja cultivada em outros países, não contam com a mesma popularidade.

Trata-se de uma uva com pouca adaptação em diferentes terrois, de modo que seu sabor é melhor acentuado em solos específicos da Itália.

Sua acidez natural faz com que os vinhos necessitem de um tempo maior de envelhecimento para amadurecer o gosto, tornando-se quase inconsumíveis no momento em que são fabricados.

Contudo, uma vez que envelhecem, leva sabores marcantes ao paladar, com toque de frutas vermelhas ao primeiro gole, aroma característico em tons florais e aspecto avermelhado.

Enquanto os vinhos da região de Barolo são mais encorpados, os da localidade de Barbaresco possuem aspecto mais leve e agradável, podendo ser consumidos com menor tempo de amadurecimento.

Esse vinho harmoniza especialmente com acompanhamentos de sabor forte, particularmente salgados, como embutidos e queijo parmesão, além de pratos rústicos, como aves de caça, pato e culinária japonesa.

É possível, também, fazer o uso de especiarias no preparo dos alimentos, adicionando maior sabor e destacando o caráter de ambos.

Algumas receitas podem ser melhores apreciadas com vinhos Nebbiolo de Barbaresco, por ser mais leve, no entanto, os vinhos de Barolo também acompanham esses pratos, podendo ser utilizados, inclusive, em seu preparo.

O vinho Nebbiolo, especialmente italiano, é muito apreciado pelos adeptos de gustação mais pronunciada, sabores marcantes e aromas particulares.

Quanto maior seu tempo de envelhecimento, maior será sua qualidade, reduzindo o caráter ácido, mas mantendo sua particularidade notável.

Que tal apreciar esse vinho de sabor único…

com as opções abaixo:

 

O tinto

Antiche Cantine Dei Marchesi Di Barolo Barolo DOCG 2017:

Rico, elegante, taninos macios e envolventes, toques picantes e amadeirados; Produtor: Marchesi Di Barolo; Teor alcoólico: 14%; Uva: Nebbiolo (vinho varietal); Nariz: Complexo e duradouro, com notas de frutas maduras, especiarias, absinto, tabaco e rosas; Harmonização: Risoto de trufas, Brasato al Barolo, pato assado

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O tinto

Terre da Vino Barolo DOCG 2017:

Complexo, estruturado, com taninos potentes e final longo; Produtor: Terre da Vino; Teor alcoólico: 14%; Uva: Nebbiolo (vinho varietal); Nariz: Cereja, rosas, folhas secas e couro; Harmonização: Risoto de funghi, cordeiro assado, polenta com queijo

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O tinto

Damilano Cannubi Barolo 2016:

Harmonioso, agradavelmente seco com taninos suaves, amplo e encorpado. Acabamento persistente; Produtor: Damilano; Teor alcoólico: 14,5%; Uva: Nebbiolo (vinho varietal); Nariz: Bouquet amplo e envolvente, com frutado pronunciado, notas de cereja e ameixa e notas de tabaco, alcaçuz e cacau; Harmonização: Carnes vermelhas e de caça

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O tinto

Damilano Brunate Barolo 2016:

Intenso, elegante e persistente, com nuances de frutas vermelhas, tabaco, alcaçuz e com trufas envelhecidas e canela; Produtor: Damilano; Teor alcoólico: 14,5%; Uva: Nebbiolo (vinho varietal); Nariz: Notas de violeta, balsâmico e pequenos frutos vermelhos; Harmonização: Carnes vermelhas e de caça

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O tinto

Damilano Classic Lecinquevigne Barolo 2016:

Sabor amplo e abrangente, com um final longo, macio e persistente; Produtor: Damilano; Teor alcoólico: 14%; Uva: Nebbiolo (vinho varietal); Nariz: Bouquet intenso, com notas terciárias de rosa, couro, tabaco e notas emergentes de violeta e alcatrão; Harmonização: Carnes vermelhas e de caça

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O tinto

Beni di Batasiolo D.O.C.G. Barbaresco 2017:

Encorpado, estruturado, equilibrado, frutado e com notas de especiarias, taninos presentes e maduros, acidez alta que lhe confere bom frescor, final longo, complexo e agradável; Produtor: Beni di Batasiolo; Teor alcoólico: 14%; Uva: Nebbiolo (vinho varietal); Nariz: Frutas vermelhas maduras, floral, especiarias, sutis notas de baunilha; Harmonização: Carré de cordeiro com aligot, picanha assada, berinjela à parmegiana

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O tinto

Barolo Riva Leone DOCG 2017:

Encorpado, robusto e equilibrado; Produtor: MGM; Teor alcoólico: 13,5%; Uva: Nebbiolo (vinho varietal); Nariz: Notas de frutas vermelhas, especiarias, alcaçuz e caramelo; Harmonização: Carnes vermelhas e de caça assadas, queijos maduros, pratos com cogumelos

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O tinto

Antiche Cantine Dei Marchesi Di Barolo Barbaresco DOCG 2016:

Encorpado, harmonioso, equilibrado, taninos estruturados; Produtor: Marchesi Di Barolo; Teor alcoólico: 14%; Uva: Nebbiolo (vinho varietal); Nariz: Poderoso e persistente, com notas de frutas vermelhas, rosa mosqueta e especiarias; Harmonização: Bistecca alla Fiorentina, Agnolotti de cordeiro, queijos duros de idade média

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O tinto

Giordano Barolo DOCG 2017:

Estruturado, com taninos intensos, acidez alta e bom equilíbrio de frutas; Produtor: Provinco; Teor alcoólico: 13,5%; Uva: Nebbiolo (vinho varietal); Nariz: Aromas complexos de cerejas, flores, cogumelos, terra e trufas; Harmonização: Risoto de Trufas, Brasato al Barolo, pato assado e queijo Grana Padano

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O tinto

Elvio Cogno Bordini Barbaresco DOCG 2018:

Aveludado, elegante, intenso, taninos macios, final persistente; Produtor: Elvio Cogno; Teor alcoólico: 14,5%; Uva: Nebbiolo (vinho varietal); Nariz: Frutas vermelhas com notas de tabaco; Harmonização: Massas, queijos saborosos, carnes vermelhas

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O licoroso

Barolo Chinato Marchesi di Barolo:

Caráter intenso, concentrado, e com final doce e persistente; Produtor: Marchesi Di Barolo; Teor alcoólico: 16,5%; Uva: Nebbiolo (vinho varietal); Nariz: Perfume intenso e aromático, destacando especiarias, flores e casca de laranja; Harmonização: Chocolate amargo, Tiramisú, torta de chocolate com caramelo salgado

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O tinto

Elvio Cogno Cascina Nuova Barolo DOCG 2017:

Macio, profundo, com taninos intensos e sabor frutado; Produtor: Elvio Cogno; Teor alcoólico: 14,5%; Uva: Nebbiolo (vinho varietal); Nariz: Rosas, cerejas, especiarias e notas de menta; Harmonização: Massas, carnes vermelhas, queijos saborosos

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O tinto

Elvio Cogno Ravera Barolo DOCG 2014:

Estruturado, com sabor de cereja vermelha madura, framboesa, notas de tabaco e taninos aveludados; Produtor: Elvio Cogno; Teor alcoólico: 14,5%; Uva: Nebbiolo (vinho varietal); Nariz: Rosas, lírios, couro novo e frutas vermelhas; Harmonização: Carnes vermelhas, molhos encorpados

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O tinto

Elvio Cogno Ravera Barolo DOCG 2014:

Estruturado, com sabor de cereja vermelha madura, framboesa, notas de tabaco e taninos aveludados; Produtor: Elvio Cogno; Teor alcoólico: 14,5%; Uva: Nebbiolo (vinho varietal); Nariz: Rosas, lírios, couro novo e frutas vermelhas; Harmonização: Carnes vermelhas, molhos encorpados

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O tinto

Beni di Batasiolo Riserva D.O.C.G. Barolo 2011:

Intenso, bom corpo, envolvente, frutas secas, boa acidez, taninos firmes, maduro, persistente; Produtor: Beni di Batasiolo; Teor alcoólico: 14,5%; Uva: Nebbiolo (vinho varietal); Nariz: Frutas secas, especiarias, couro, balsâmico, tabaco; Harmonização: Risoto de trufas brancas, risoto de pato com shitake, pernil de cordeiro ao molho de cogumelos, bife de tira assado, medalhão de javali ao molho de funghi porcini, cesta de polenta com brasato ao barolo

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