Brunello di Montalcino, um clássico vinho toscano

Brunello di Montalcino

Brunello di Montalcino, como um perfeito clássico toscano, é a nata dos vinhos. Afinal, não é qualquer rótulo que tem um potencial de guarda que pode chegar a 30 ou até a 50 anos. Hoje, o Center Gourmet leva você para conhecer Montalcino, na Itália, a casa desse famoso vinho. 

Para começar, Montalcino está localizada em uma região cercada por colinas, ao sul de Siena. De fato, é a localização perfeita para o cultivo de uvas. Não apenas por causa das temperaturas, que são equilibradas o suficiente para levar as uvas ao grau certo de maturação, porém, sem diminuir o tempo de cultivo.  

Mas, também pela topografia da região, que tem influência direta no processo de cultivo das vinhas.  E é de lá que sai o Brunello di Montalcino, um vinho varietal produzido a partir da Sangiovese Grosso.  

Brunello di Montalcino – Criado para ser um monumento italiano 

Brunello di Montalcino

É impossível falar de Brunello di Montalcino, sem citar a família Biondi Santi. Afinal, foi um de seus descendentes o maior responsável pela criação dessa obra de arte. 

Por volta da metade do século XIX, as vinhas da Europa foram varridas pela grande praga de filoxera. Logo depois, os produtores locais pensaram em uma forma de produzir vinhos da forma mais breve possível. Ou seja, gerar renda num curto período de tempo, para que pudessem se reerguer. 

Pois, Ferruccio Biondi Santi, neto do fundador da vinícola, decidiu fazer exatamente o contrário. Sendo assim, ele aprofundou seus conhecimentos sobre as variedades de uvas da região e também sobre seus clones, para conseguir chegar à melhor cepa para um bom vinho que suportasse a passagem do tempo. 

Muito tempo depois, sua ambição e paciência foram recompensadas quando, em 1876, seu vinho foi avaliado e classificado como conservado e próprio para consumo. Isso não seria grande coisa se o vinho em questão não fosse de 1843, portanto, tendo mais de 30 anos de idade. 

A partir dali, começava a história do intenso e famoso Brunello di Montalcino, cujo nome já diz bastante sobre ele. Afinal, brunello vem da palavra italiana para marrom, cor que o vinho apresenta devido à sua longeva maturação. 

A Denominação de Origem Controlada e Garantida (DOCG) 

Por incrível que pareça, um dos maiores clássicos do mundo, só teve sua DOCG estabelecida recentemente, na década de 1980. Mesmo já sendo produzido há séculos por lá.

Isso quer dizer que existem regras rígidas e específicas a serem seguidas pelo produtor para que um vinho seja classificado como um Brunello de Montalcino. São elas: 

  • Produção exclusivamente à base de uvas Sangiovese 
  • Original da região da Comuna de Montalcino
  • Envelhecimento mínimo de 04 a 05 anos 
  • Passagem por, pelo menos, 02 anos em barrica de carvalho  
  • O vinho deve passar um mínimo de 04 a 06 meses em garrafa antes de ser comercializado
  • O engarrafamento só pode ser feito na região produtora.

Quanto ao carvalho, inicialmente, ele devia ser esloveno. Assim, o resultado era um vinho bem seco e muito tânico.

No entanto, o processo foi evoluindo e produtores modernos já preferem barricas de carvalho francês, para conseguirem vinhos com aromas mais frutados.  

Por fim, as regras da DOCG exigem que as uvas sejam cultivadas em vales, banhados pelo sol e que não ultrapassem os 600m acima do nível do mar. Esse vinho é mesmo muito elegante e cheio de pompa. 

Brunello di Montalcino – um DOCG que vale seu preço 

Brunello di Montalcino

Para quem conhece um pouco sobre a produção de vinhos, fica fácil entender os fatores que levam um Brunello di Montalcino a custar caro. 

Afinal, imagine quanto tempo, conhecimento, recursos e mão de obra são gastos para produzir e manter um vinho em perfeitas condições por décadas e décadas. 

Isso encarece o processo de produção e, nesse caso, é justificável e vale muito a pena. Isso porque, quanto mais o vinho envelhece, mais complexo ele se torna.  

Consequentemente, ele assimila do carvalho aromas de madeira, especiarias, couro e folhas de tabaco. Além disso, pode apresentar também notas de sálvia, eucalipto, pimenta preta, baunilha, café e chocolate amargo. 

Para terminar, podemos citar os aromas florais e frutados que o Brunello di Montalcino traz ao paladar, como violeta, cereja madura, rosa e gerânio. 

Olfatos e paladares extremamente treinados podem ir mais longe, distinguindo traços de tinta e até cera. Logo, fica bem evidente quão complexo o vinho se torna à medida que envelhece por décadas no carvalho. 

Detalhes de sua criação e regras de produção 

Brunello di Montalcino

Nos anos 30, Tancredi Biondi Santi teve a paciência necessária para permitir que o mostro ficasse guardado por longos períodos, primeiramente no carvalho e, em seguida, em garrafas.

Foi ele também quem descreveu o processo, afirmando que a família sempre usou apenas uvas da sua própria vinícola, sem acrescentar leveduras e levando em conta o carvalho para não acelerar o processo de maturação. 

O teor alcoólico não pode ser inferior a 12,5% e, pasmem, ele só pode ser engarrafado em garrafas do tipo Bordeaux ou bordalesa. De fato, essa é a garrafa mais tradicional, sendo usada para a maior parte dos vinhos tintos e brancos mundo afora.  

Também conhecida como standard, é a variação mais comum no mercado. Tem os lados paralelos, ombros altos e fundo côncavo. Costuma ser utilizada para a maioria dos vinhos, tanto tintos quanto brancos. E nem vamos entrar nos detalhes sobre a exposição das uvas ao sol e o sistema rígido de podas. 

Outras DOC’s de Montalcino 

Paralelamente, a região de Montalcino guarda outras três denominações de origem: Sant’ÁtimoMoscadello e Rosso. Aliás, o Rosso di Montalcino foi criado para ser o mais acessível dos Brunello da região, que são caros e trabalhosos.  

Apesar de que também devem ser feitos apenas com a Sangiovese, já podem ser lançados no mercado dentro de apenas 01 ano de produção, sem muitas regras quanto ao carvalho, afinal, é um vinho para ser consumido jovem.

Moscadello di Montalcino é um vinho mais doce, derivado da uva Moscato. Já o Sant’Antimo, acolhe todos os outros vinhos brancos e tintos da região. 

Atualmente, cerca de 200 produtores de vinhos estão estabelecidos em Montalcino. Porém, com um processo de produção tão longo, uma qualidade tão elevada e quantidade limitada de garrafas à disposição, os Brunellos de Montalcino ainda são uns dos vinhos mais procurados e importantes da Itália.

A uva do Brunello  di Montalcino e com o que devo harmonizar 

Brunello di Montalcino

Inicialmente, vamos falar sobre as características do vinho, produzido a partir da Sangiovese. Logo, já dá para citar sua coloração vermelho escura, quase grená, acastanhado. 

Como já vimos, seus aromas são os mais variados e presentes. Já na boca, ele traz taninos bem fortes e boa acidez, com corpo médio. 

É muito importante deixar que a bebida respire antes de consumi-la, afinal, ela esteve guardada por muitos anos e precisa estar em contato com o ar para que ela se abra e mostre tudo o que guardou enquanto estava nos barris. 

Sendo assim, despeje num decanter e deixe em repouso por cerca de três horas antes de degustá-lo, e vá experimentando para ter certeza de que está no momento certo de servir. 

Harmonização do Brunello di Montalcino 

Uma das primeiras e mais importantes regras a serem seguidas na hora de harmonizar vinho e prato, é harmonizar preparos complexos com vinhos complexos e preparos simples com vinhos simples. 

Como resultado, vamos conseguir um equilíbrio de estrutura e da persistência do sabor da comida e do vinho no paladar. 

No caso, já ficou bem claro como o Brunello di Montalcino é complexo e pede um prato à altura. Ele é perfeito para acompanhar pratos com forte sabor de umami, aquela sensação que fica na boca depois que comemos tomates ou queijo parmesão, por exemplo. 

Sendo assim, qualquer carne bem temperada com condimentos de sabor rico, vão dar conta do recado. Por exemplo, peru recheado com molho de ameixa seca e trufas brancas. 

Porém, um belo filé de carne bovina, de preferência que seja de chianina, bem temperado, é rico em umami. Seus temperos e ervas remeterão aos aromas do vinho. 

Em seguida, podemos citar pastas e sobremesas, como um biscoito de mirtilo com recheios de chocolate e licor de frutas. 

O que não combina

Brunello di Montalcino

Evite harmonizações entre o Brunello di Motalcino e carne grelhada. Acontece que, no preparo, a carne acaba pegando um gosto levemente amargo e queimado, que não encaixam no gosto aveludado que o vinho deixa no paladar. 

Com toda sua elegância, dificilmente ele poderia acompanhar uma pizza. A menos que ela tivesse um recheio repleto de presença. Pois, a acidez do tomate e o gosto da muçarela sumiriam no paladar antes do vinho mostrar seus aromas. 

Igualmente, os preparos picantes são difíceis de combinar. Afinal, os sabores da pimenta e do vinho até combinariam, mas o teor alcoólico reage com um componente dela e pode ser um pouco demais para algumas pessoas. 

Por fim, jamais sirva o vinho com algum peixe que não esteja muito bem preparado. Afinal, peixe tem um sabor delicado demais para fazer frente ao vinho complexo. 

Mas, lembre-se que vinho combina mesmo é com celebração, boa comida e boa conversa!

Gostou de conhecer melhor o Brunello de Montalcino, esse vinho tão especial e que pode atravessar gerações e contar suas histórias? Então compartilhe com os amigos.

Aproveite para conhecer os rótulos nos nossos sites parceiros e escolher o seu preferido.

 

Exemplar que passou por 4 anos em barricas Brunello di Montalcino Casale del Bosco DOCG 2012: Ótimo corpo, potente, taninos marcados e redondos; Produtor: Tenute Silvio Nardi; Teor alcoólico: 13,5%; Uva: Sangiovese (vinho varietal); Nariz: Tostado, café, ameixa madura e amora, além de toques florais; Harmonização: Risoto de cogumelos, cordeiro assado

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veja mais sobre esse vinho:

Brunello di Montalcino Casale del Bosco DOCG 2012


 

Exemplar que passou por 3 anos em barricas Carpineto D.O.C.G. Brunello di Montalcino 2014: Estruturado, elegante, taninos macios, boa acidez, final persistente; Produtor: Carpineto; Teor alcoólico: 14%; Uva: Sangiovese Grosso (vinho varietal); Nariz: Frutas maduras, baunilha, couro, folhas secas; Harmonização: Stinco de cordeiro com polenta trufada, risoto de carne seca e queijo coalho, bife ancho ao poivre, fettuccine com magret de pato, picanha suína com batatas rústicas, queijos semiduros ou duros

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Carpineto D.O.C.G. Brunello di Montalcino 2014


 

Exemplar que passou por 3 anos em barricas La Gerla Brunello di Montalcino DOCG 2015: Macio, aveludado, harmonioso, rico em fruta e de longa duração em boca; Produtor: La Gerla; Teor alcoólico: 14%; Uva: Sangiovese (vinho varietal); Nariz: Notas intensas de frutas maduras, com toques de violetas, canela, tabaco e couro; Harmonização: Carnes vermelhas, caça ou queijos envelhecidos

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La Gerla Brunello di Montalcino DOCG 2015


 

Exemplar que passou por mais de 3 anos em barricas Tenuta Buon Tempo Brunello di Montalcino DOCG 2013: Potente, aveludado, harmonioso, rico em fruta e de longa duração em boca; Produtor: Tenuta Buon Tempo; Teor alcoólico: 14%; Uva: Sangiovese (vinho varietal); Nariz: Notas intensas de frutas maduras, com toques de violetas, canela, tabaco e couro; Harmonização: Carnes vermelhas, de caça, queijos envelhecidos ou pratos típicos da culinária italiana

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veja mais sobre esse vinho:

Tenuta Buon Tempo Brunello di Montalcino DOCG 2013

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Joyce Soares

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